segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Pensamentos

Tenho os lábios secos
A língua presa de tanto de falar
Tenho os dedos sangrentos
As unhas lascadas
Da força de te apertar

Sinto os olhos trémulos
Ensopados de magoa e amor
Sinto o coração desfeito
Moído ensanguentado de dor

Tenho a alma inerte
Espectro da solidão
No fundo, não sinto nada,
Apenas desilusão…

Deixa-me morrer
Deixa-me morrer
Para renascer em ti
Deixa-me morrer
Que melhor é morrer
Que viver assim














II

Meu bem…
As vezes convêm
Tirar um dia para pensar
Imortalizar um sentimento
Tirar um dia para esquecer
O mundo, a existência, o tempo…


III

No lótus azul do destino
Meu bem, vejo-te comigo, à deriva
Nenúfar de deslumbramento
Perder-me em teus braços por um momento
Enquanto que os olhos se fecham
Embarcando numa espécie de sonho
E poderia ser ternura
Se o infinito conseguisse alcançar
A longitude do teu olhar…



IV

Amantes,
Tão docemente amantes,
Perdidos entre mil beijos e abraços,
Olhos penetrantes
Cabelos enrolados

V
Magoas-me tão cruelmente
Devoras meu coração,
Mastigas e depois deitas fora
Sem dó nem compaixão
De que matéria és feito?
Serás de carne como eu?
Que coração teus no peito
De certo inerte e plebeu

VI

Sinto cada célula a desagregar
Cada batida a esvanecer
Sinto pouco mais que um suspiro
E de um pouco mais é o que preciso
Para sobreviver

VII

Ouve, se quiseres ouvir,
O pestanejar de cada olhar
A respiração do silencio
As mãos tremulas e friorentas
O suspiro do pensamento
Ouve, se quiseres ouvir,
O palpitar de cada momento
O trajecto de cada lágrima
A ansiedade de cada gesto
Ouve, se quiseres ficar comigo
Porque nada mais tenho a te dizer…

VIII


Perguntas-me pela antiga candura
Que preenchia a íris do meu olhar
Aquela doçura
Que em tua boca derretia devagar
Onde está as promessas descabidas
Tattuadas na pele de cada momento
As antigas loucuras
Materializadas na acidez do pensamento
(não sei te dizer...)

Bárbara


Vejo-te estilhaçada na cama
teu cabelo ruivo escorrido
como cobre derretido
tua voz soturna e meiga.

Desejo cada ínfima parte do teu prazer
tua carne macia a escorrer
por entre os dedos
o cheiro branco dos lençóis.
Enquanto a demência
dum sorriso aligeira a veemência
do meu delírio...

(re)vejo-te por entre o ar abafado da noite
adormecida no meu peito...
deixando tudo ao abandono
num perfeito doce jeito
de escrava sem dono.