terça-feira, 18 de dezembro de 2007


Nesta neura, em que me encontro,
as mãos tremem
os sentidos ficam cobertos
por uma espécie de neblina
e parece que desmaio
parece que vomito
parece que me esvaio
mas tudo nao passa dum delírio
estou fernética
o pulso latejante
a cara toda ela coberta
pelas gotas da fóbia
tenho medo
tudo parece visível
e ao mesmo tempo tão impalpável
grito...e o meu grito
é apenas um eco
pedra caindo no fundo do poço
gritas...agitas o meu corpo franzino
agitas...dizes para desaparecer
gritas, agitas...
entao surge, algo inesperado
adormecido o animal primitivo
com os dentes em lava, num desatino
cravo as minhas unhas na tua pele
puxo te pelo braço...
faltam-me as pernas
quis falar e nao tive voz...
deixas-me só, ao abandono
depois de me ter sugado a carne
mal sinto o meu corpo
chorando compulsivamente
cada arfada de ar
parece a derradeira
cada lágrima
parece a primeira...
planicies e planicies de silêncio
se abatem sobre mim
e penso para dentro
que nao posso viver assim....

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Ilusões


Pendem secretas mensagens
e cidades azuis de vida
de teus ombros miragens
por uma palpitação perdida

Em teus olhos resignados
a luz das estrelas cadentes
onde navegam os pecados
mais empalidecidos e doentes

Tombadas mãos junto ao peito
deixadas ao acaso da lembrança
refugiadas no doce jeito
da eternidade vã da esperança

Depois


I

E depois do abraço
um jardim de buzios e corais,
davam á costa...
Na areia movediça da descoberta
o pestanejar dos pensamentos,
fluiam no canto da tua boca...

II

Os lábios tentam decifrar o aroma do sol
ou talvez o calor do mel...
por debaixo da fluidez dum lençol
a textura da tua pele
e depois do abraço
e depois de nós
o silêncio insurtecedor
em teus olhos de planície lastimosas
apenas promessas de amor...


III

Nas arcadas dos meus lábios, intemporais
pequenas gotas, amargos tragos
onde os teus beijos não são reais...

IV

Hoje acordei com o teu beijo
debruçado sobre o horizonte
manchas de tristeza e ruína
lembranças apagadas...
promessas duma vida
e junto a vidraça
um punhado de camelias,
meladas ao sol,
murchas, gastas, moles doçuras
em minhas mãos ancoradas...