quarta-feira, 12 de março de 2008

"O Humano demasiadamente Humano"


sou um viajante
ponto de chegada
sou um viajante
errante, sem estrada

nao me prendo a coisa alguma
nao há tempo
a vida, toda ela, um momento
desce a noite sobre o deserto
até a aurora
tudo me parece uma leve demora
na descontinuidade
sou um viajante
onde os montes lançam-se
a meu encontro
onde as coisas que eram minhas
simplismente nao são
pois eu sou um viajante
noutras frentes
vejo a calma duma colheita
espíritos livres
veem a meu encontro
tudo desaparece
e o caminho esbate
nascida a luz
sou um viajante
da "filosofia do meio dia"
feita ela de brisa
fluidez que me seduz

Uma onda! Aqui e ali...
A minha mão sobreposta
Na tua mão
Asa de gaivota

As nuvens roçavam o rosto
Leviana paixão
Minha perna descoberta
A boca semi-aberta

Sabes? A relva dá-me comichão...

Uma onda! Aqui e ali...
Uma gaivota
Na minha mão
Encostada no teu peito
A planar
fluidez da íris do teu olhar...

quinta-feira, 6 de março de 2008

És mentira


No dramatismo encenado
de cada gesto.
No desfecho coreografado
de cada momento.
Na esfera ilusória
do tempo vejo-te,
absolutamente fulminante.

Serás tu, talvez,
aquilo que o olho percebe
apenas a aparência
que não transcreve
o verdadeiro significado do ser

Nem o gestualismo da teu vulto
a tinta que escorre
na enlouquecia do tumulto
subordina o inconsciente.

Serás tu, talvez, hipocrisia
criadora de delírios
fingidora de emoção
mentiras que não
valem a pena existir,
e as quais tu
chamas de paixão...