quarta-feira, 30 de julho de 2008

Esperança


Sinto cada célula a desagregar
o corpo a fraquejar
será paixão. ou medo
todo o que chega as minhas mãos não me pertence
meu espírito hesitante
teme o futuro expectante
tortura-se com o passado
com as memória, previsões antecipadas
impulsos que tentam me estrangular
impulso que tentam me envenenar
impulsos que me dominam
que aterrorizam a minha existencia...
Sinto pouco mais que uma gota de suor
pouco mais que uma lagrima
e o pouco depressa se transforma em nada...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Habitas em mim

habitas em mim. na longitude da minha pele
na ternura do meu olhar, como se fosse milenar
o calor dos teus dedos
a sensação perfeita, cadencia de cada nota

habitas em mim.eu vejo-te e perco-me
os teus olhos são luas um
céu onde correm palavras
existe sempre, no meu corpo, a memória do ontem
o sabor do amanhã

habitas em mim. esqueci o meu nome
sou vento agrestre, palavra proferida
por ti são os instantes da vida

Hoje


hoje, quando senti a ondulação do mar,aguarrei os cabelos
sonhos desfeitos na iris do teu olhar
naquele espaço infinito
teu rosto adormecido
palavras flutuantes
cristalizam os sentidos
onde cada toque era unico
cada som, cada gesto
céus silenciosos se erguiam
por entre a minha voz suave, melancolica
debroçada no teu peito
num suave doce jeito
perdi-me na loucura da tua boca...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

bolor


O bolor dos dias vagos
das horas adormecidas
corre pelas veias...em agonia
paredes lúgubres
manchadas de cólera
de secreções amareladas
onde crescem fungos
nas janelas
Sinto na pele
organismos estranhos
líquidiz turva e espessa
compressas de tortura
cobrem as feridas que não saram
os dias que não passam
as nauseas estonteantes
corredores húmidos
cadeiras bambas...
sobre chão decomposto...
Por entre os cheiros a enfermidade
todos os momentos felizes
se esvaem da imaginação
num estado tão frágil
o mundo perde-se na minha mão...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Momento


Na suavidade do teu dorso
senti a essência da loucura
na tactidez da tua pele
na abstracçao de cada linha
nossas bocas feitas de mel
naquele instante que as unia

Por entre os dedos esticados
o sabor da lua
uma luz meiga soturna
reclinada sobre o teu peito
num leve doce jeito
de cabelos tombados
como cachos de uva...

poderia ser como um pássaro
a sombra do teu enlaço
poderia ve-la a voar
a luz do teu olhar
poderaia ser apenas um sonho
ou penumbra dum abandono
poderias ser tanta coisa
coisa imensa coisa minha
certamente seria menos enfadonho
que esta estúpida teimosia