Anjo Negro


Quando me olhavas voraz
havia um cemitério de crianças
no teu olhar!
Uma tristeza tão profunda
brotava na foz d'alma
vi, nos campos tétricos
das tuas alucinações
cada hora preenchida
por lírios palpitantes
aguarelas que davam-me
a emoção do olhar e do sentir
tinhas uma espécie de dever
o dever de sonhar
de sonhar sempre, tinhas esse dever
de nunca acordar...

Mas por detrás
da máscara que usavas
um rosto inerte ou expectante
conspirava...

manchas de sangue
cobriam-te os pés

por entre lembranças ocas
momentos cristalizados
no filamento das nossas bocas

pensei que eras poema
linha horizontal
deslizando na curvatura
dos lençois amontoados
cabelos tombados
flutuante lua
mas apenas povoaste
as entranhas do meu imaginário
sugando-me a carne
numa procura hedonística
de saciedade
triunfo da tua vaidade

Comentários

Afonso Guerreiro disse…
Bárbara, de minha fiel alma se tu fosses minha amante, amante das estrelas, amante como kem ama o mar, como kem ama por amar...seria o teu anjo azul seria tdo na tua vida...

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