Fingir

Finjo que estou bem
o corpo ensaguentado. vestido a rigor
manchas amareladas. feridas decompostas
berros descontrolados . por entre sorrisos

finjo que estou bem
olhas-me mas não sabes
por entre as ruelas. uma cidade
ninguém sabe. as mãos trémulas e friorentas
as pessoas são tão desprezíveis
hipócritas e sínicas
falam mas não imaginam
sou vidro. não veem
estilhaços de mim...

olhas-me e não sabes
dentes em lavas. num desatino
finjo que estou bem
o corpo embrabece
a boca emudece
fica a necessidade de saber
será hoje o fim...

Comentários

Natália Bonito disse…
Marca-se o fingimento
Na rua desamparada
Do instante, desfeito momento
Que na poesia lembrada
Transforma-se em cumprimento
Olhar de ignorância tocada
Haste do embravecimento.

Parabéns por este fingimento bravio... São versos para ler com atenção, pois têm subjacente uma grande carga simbólica... Gosto principalmente desta passagem: "olhas-me mas não sabes"... É intensa!

Natália Bonito

http://www.estradasrepletas.blogspot.com/
Duarte Olim disse…
poema de desencanto, ou grito de revolta, de afirmação, uma exaltação ao sofrimento... de que serve fingir este marasmo, se a poesia é de cristal e não estilhaça? Ao contrário da alma barrenta que padece num mundo em que fingir é uma necessidade e que dar é ostentação ou mentira.
Momentos disse…
Olá Rafaela!
Venho retribuir...
Sua amável visita...
Estou encantada com sua...
Sensibilidade!
Temos muitas coisas em comum!
Admiro seu toque especial...
Escrito nas entrelinhas!
Parabéns!

Carinhoso abraço!
Antunes Ferreira disse…
Lindo. Lindíssimo. Até logo. Emuito obrigado pelos teus imeiles.

Qjs
Carlo Rochas disse…
A grande cumplicidade é distinguir o eterno sentir da ambiguidade entre o ser e o não estar, desprendermo-nos o suficiente de tudo o que nos rodeia para que mesmo não nos tornado parte alheia, possamos compensar e compartilhar. Há poucos dias uma amiga fazia um excelente esclarecimento sobre o tema de Eco e Narciso, a indispensável sanidade de um sempre descontentamento do que não somos e pretendemos ser, sabendo de antemão que nunca o seremos. As pessoas, somos nós, desprezíveis e por vezes capazes de nos vidrar ao ponto de estilhaços, abraçar o sentimento mais efémero, sanidade espiritual.

Beijo sereno.
Lindaaaaaaa vc,maravilhosa...
Gostei do dueto viu,amei
quero saber se posso posta
no meu site?

Vc é divina e suas poesias explendidas...Amei aqui viu.
Parabéns querida e boa noite!!!
Cadinho RoCo disse…
Que seja o fim do fingimento que você pode descartar quando quiser, porque ficar bem só depende de você.
Cadinho RoCo
Eu, sem clone disse…
Palavras que transparecem sentimentos profundos.
Paradoxos disse…
palavras tão nossas sentidas e escritas por ti - em elevada beleza!!

beijão amiga!
gostei...

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