Corro pelas ruas desta cidade
meço degraus. trepo muralhas
não encontro nada. a raíz do passo
caminha na raíz da vida
passo a passo,mil metros quadrados
exposto ao desalento. mãos cravadas como farpas
por entre fios de cabelos. o vento

ouiço-te a dizer adeus
essa palavra que fez da noite madrugada
não sei de que cor é a tua boca
lembro-me da língua subitamente solta
pelas ruas. pelos becos.
como uma onda rebentando de mistérios
em teus olhos ficticios. animais.

Vegeto pelos escrombos
aqui não há viv'alma
são becos decadentes. extermínio
onde a carne fez-se verso
um verso livre. sem palavras. nem sentido
debaixos das pedras havia sorrisos
havia esperança. em meus olhos de criança
em teu rosto de anjo adormecido.
já não há.

E o silêncio é tudo o que resta
para quem nada têm.

Comentários

Mello disse…
Lindo Poema!

De facto, "o silêncio é o que tudo resta". Mas com o tempo tornei este silêncio leve e solto, no início era pesado e dominava a minha alma como um Deus Hades.

Agora, adoro o silêncio e nele descobri que afinal sou alguma coisinha...

Beijinhos,

Graça Mello
Pedro disse…
O silêncio sussurra aquilo que não se vê à superfície.

Excelentes palavras, mais uma vez!
anderson eduardo disse…
Lindo, o silencio é mesmo tudo o que resta... abração e parabens pelas doces palavras...boa semana
Bichinho disse…
Lindo
Beijo fantasma...
O Profeta disse…
Há tanto som no silêncio...


O sonho de hoje voa no amanhã
Esta terra prende-me os pés
Um fruto maduro é repasto de pássaro
Um caminho feito de lés a lés

Taça de finos aromas
Uma súplica presa na brisa da tarde
Na morada dos teus maiores desejos
Há um coração que por ti arde


Bom fim de semana


Mágico beijo

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