No algodão doce daquela tarde
a tua mão derretia
açúcar cristalizado. tua boca na minha

Havia nuvens que flutuavam
em teus ombros horizontes
tal e qual um pássaro planavam
em meus olhos carnais
senti a loucura,
a despir o teu corpo
a tomar a forma dum bafo quente
dum cigarro aceso
senti a loucura a engolir o pensamento

Como dizer o silêncio
do teu peito contra o meu
os gestos que brotavam da foz da alma
alma que não cabia em mim
e que em ti não restava

O vulto do teu rosto diluía-se
nas gotas de chuva que escorriam
do para brisas do carro que corria
sem pressa de chegar

Não havia luar, apenas nós
e os lampiões que não podiam esconder
o desejo de te ter.

Nas paredes do vento ficou
aquele momento. sobre grande neblina
nem tudo o que veio chegou por acaso
na penumbra dos cabelo enrolados
mãos tombadas sobre o céu
lábios que suspiram um adeus...

Comentários

Como eu gostava de ter o seu talento poético!
Passei para lhe desejar um óptimo fim-de-semana.
Beijo com ternura.
António

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