domingo, 16 de novembro de 2008

Passado desmenbrado


Tudo parece-me transcendental
apática, perdida
sem cor a vida, é esfinge cadáverica
movendo esferas, numa valsa teatral

Totalmete imóvel, como um pilar de sal
minha boca permanece
solidificada pela dor dum abandono.

Pés caídos, desmembrados
enquanto ecos de assombro
povoam-me o espírito!

Diz-me que abriras os olhos,
diante de ti a miséria a fome de cada dia.
Já não sinto os cortes
nem as fracturas expostar a dernar
o sangue do sangue dos olhos
que olham nos teus sem nome.

Nas cadeiras bandas, nas esquinas
por entre o piso molhado.
As gotas da fobia
cerradas neste quarto
onde tempo passa sem pressa de partir ao chegar
sem vontade de esquecer o teu rosto
aquilo que faz a lua sonhar.





10 comentários:

O Profeta disse...

Tremendamente dramático o teu texto...és intensa no sentir...


Doce beijo

Unknown Artist disse...

'o tempo passa sem pressa de partir ao chegar'

Tão verdade!
É das poucas perfeições existentes!

Beijinho

Artista Maldito disse...

Olá Bárbara

Concordo com o Profeta, intensa, vai ao fundo o que é difícil e desgastante, mas é assim que se vai construindo o universo pessoal.
É necessário um grande espírito de observação e grande sensibilidade, uma predisposição para o que não é fácil. Louvo-a por isso.

Venho agradecer-lhe o comentário deixado no Artista Maldito e deixar-lhe um beijinho com grande carinho.

Decerto que me permite linká-la, gostaria de o fazer. Já a conhecia do Tentativas Poemáticas.

Até breve
Isabel

Tentativas Poemáticas disse...

Olá Bárbara
Lamentável que pessoas como aquelas que escrevem em forma poética coisas como "...aquilo que faz a lua sonhar" não sejam ainda reconhecidas neste Continente que fecha portas ao talento insular.
Beijinho
António

vida de vidro disse...

Um poema extremamente sentido.
Obrigada pela visita ao meu blog. **

O Profeta disse...

Sou palavra perdida no silêncio
Gerada no ventre do Mar
Grinalda de perdidos sonhos
O passado do verbo amar

Amei!
Voar na chegada de cada Primavera
Pintar de luz as cores do verão
Pisei o tapete das folhas de Outono
Acendi em cada inverno uma fogueira de paixão


Convido-te ao encontro com o meu “Eu”

Bom fim de semana


Mágico beijo

Esquissos disse...

Gostei do texto... Directo, simples, dramático e acima de tudo sentido!

Beijo,

Draco

Artista Maldito disse...

Bom-Dia Bárbara

Venho desejar-lhe uma quadra natalícia feliz e desafiá-la para uma brincadeira que tenho no A. Maldito.

Beijinhos com muito azevinho
Isabel

Bill Stein Husenbar disse...

Nesta época natalicia, desejo um Feliz Natal recheado de momentos bons e inesqueciveis na companhia dos que mais ama. Que a alegria e a esperança se espalhe e se concretizem no coração de cada um de nós.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

Pedro disse...

Perturbadora essa imagem... Fez-me não querer ler... Mas, inegavelmente, tenho de dizer queés uma das melhores poetisas que já li! Adoro os teus poemas!!!