terça-feira, 11 de novembro de 2008

Lince




Teus olhos de lince
 cámelias meladas ao sol
querem me devorar em meiguice
por debaixo das vertebras dum lençol

Na polpa encarnada da tua boca
aflora um mundo instintivo e animal
e na curvatura do teu sorriso
a luxuria canibal. dentes em lava, num desatino
beijo num folgo brutal
sem pressa de partir ao chegar

Sinto o gelo quente do teu olhar
perdido em planicies e planicies de silêncio
sinto o calor da febre a bafegar
na longitude do teu pescoço
como um cálice envenenado
que me consume até ao osso

E nos batuques do meu peito
teus olhos aguçados e felinos
presos em cada gesto. cada expressão
na fluidez da minha mão. incerta dum destino.

É hoje, talvez, o último dia que vejo
o luar preso na raiz dos pensamentos
cabelos grisalhos que traçam linhas de linhas
água e sal, pescador de momentos

Vejo na suavidade da tua pele
brotar a cor exacta do teu nome,
do teu jeito de andar só pelos caminhos
mastigando emoções. fumado ilusões
rasgando sorrisos...

3 comentários:

Unknown Artist disse...

Bonito e, bonito de se ver =)

Beijinho

Pedro disse...

Sempre as tuas palavras me fascinam! Belíssimas!

alexandrecastro disse...

gosto da sua escrita!