terça-feira, 30 de dezembro de 2008

a noite era tanta


A noite. Tenho medo do tempo que parte ao chegar
não consigo dormir. A morte é a mão que embala
deitada sobre a cama. a alma repousa
cru e nua. não imaginas de que cor é
a fantasia prolongada. o outro lado da lua
onde mora a escuridão. por entre as paredes
que ressuscitam. o céu era triste.
os ramos mais altos não alcançavam
a luz dos olhos que brilhavam
lembraste?

A noite. O tempo morno junto ao mar do norte
mãos dadas sobre o peito. Num leve sombrio jeito
de cabelos carmesim deixados ao abandono
por entre os dedos. Segredos da tua pele branca
na minha boca a miséria obscura de quem não
tem controlo sobre si
lembraste?

A noite era tanta. O vento forte
Na fúria de ser livre. O sonho de te ter em mim.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


A terra transpirante
o musgo ofegante. tuas pernas descaídas
por entre a erva daninha
eras um animal insaciavel
eras um ser uivante
sempre a procura de mais

Sugavas-me a alma
até não restar nada
por entre a selva dos sentimentos
tremiam-me as mãos.na ânsia de as apertar

Faltava o ar. não haviam montes
apenas o eco surdo dos arvoredos
por entre a tua carne branca adormecida
no lençol do tempo

No jardim proibido. cadáveres perdidos
folhas deixadas ao abandono
eramos prisioneiros dum momento. eterno no seu fim
como é bonito o osso nu e cru
aquilo que restou do teu sorriso. em mim

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Palhaço assassino


O sol estava negro, expectante
a lua não existia. morreu
vestido de luto, triunfante
o teu vulto carnavalesco apareceu...

O gume da faca estava quente
em tua mão elouquente. ardeu
meus olhos em pasmo e espanto
meus olhos vazios. amargo pranto
a lua morreu...

Teu cérebro moroso ou esfuziante
não consegue chegar a clarividência
não consegue perceber a enlouquencia
de minha alma viva. fuzilante

Como consegues erguer
a tua coluna animalesca
neste circulo de misérias que alimentas
chamem os outros palhaços
criaturas bizarras, teatrais
para que vejam. tu, ser desgraçado
a ser cruelmente esmagado
por minha boca ensanguenta
minh'alma sofrida. acabada
minha mente crua e nua
traça o teu destino, num leve adeus
como ferida aberta, fulminante
como uma criatura assassina
dentes em lava, onde jorra sangue
sedento de vida...

Chamem os palhaços lamechas
que preenchem o palco. rumitando
barbaridas. piadas patéticas enfastiantes
para que te vejam caido por terra
para que vejam o folgo final desta era
em que eras tu o palhaço supremo.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Desilusão

A desilusão não tem cor. Não!
Não tem sabor
é uma neblina que trespassa
feito lança e mata...

aquela doce esperança
por entre uma nevoa que nos cega
que mancha o luar
e rasteja vaporosamente.

o medo de sentir
o medo de perder
aquilo que nunca fui
e que um dia serei

O medo...
acaba com o calor da tua mão
sem cessar a desilusao
arde...no peito, queima-me a pele

Neste instante que é a vida
tudo se transforma, folhas de Outono
á deriva no cemitério da minh'alma

Tudo era para ser perfeito
era...
uma leve quimera
meu amor...o que foi que aconteceu
o mundo ja não é meu. não.
ficou mudo,num leve adeus