quarta-feira, 28 de janeiro de 2009


O frio que gela as ruas que parecem colinas
estreito os prédios que caem por cima da cabeça
o céu. uma espécie de neblina que turva a vista
o adeus. que fez o tempo parar. na eternidade vã
dos dias amontoados de solidão. que se esvaem
como fumo por entre os dedos. o desenho dos teus ombros
intemporais teus lábios presos nos meus
o medo subterrado nos escombros da ilusão

Estas longe, tão longe...ainda sinto o teu olhar
mergulhado no meu desejo. aquele infinito beijo
preso na exactidão de cada pestanajar
ainda sinto a cheiro do teu corpo caido
no meu ventre os instantes tatuados
tal e qual uma serpente que se enrola
a meu lado.um sorriso que não consegue disfarçar
a vontade leviana de o mundo transformar
para que fosse nosso, só nosso, onde podessemos
reinar.que o amor é este egoísmo inconstante
de nos darmos só a um. de pertencermos a nenhum
de sermos sós, no meio de tantos. de ficarmos juntos
contando os minutos, fazendo planos

A neve cobre os telhados, ao longe a lua diluida
em meus cabelos púrpura a chuva cai em forma de
raios de prata...se desfaz em pequenos instantes de nada!!!

domingo, 18 de janeiro de 2009


Quão bela é a lua. tombada faz-se revelar
o segredo mais simples preso em ti.
em cada pestanejar tenho medo da fúria
subitamente solta nos prédios e nas ruas
o gesto dos membros apagados pelo o calor do silêncio
tocas-me os subtis tornozelos. no sossego feliz
das horas. sinto o deambular trémulo
dos teus dedos. tombados cachos de cabelos
sobre o tecto da nossa imensidão. sombras
que se escoam no canto da tua mão

Talvez estaja aqui, neste pedaço teu e de mim
a razão. as memórias que pareciam eternas
e que eram únicas em cada olhar
vulto que se dilui na carne de cada instante
olhar felino penetrante que desvenda
as rotas sanguinarias da minha boca

Vamos a cavalo sem destino. diz-me se é verdade
ou mera esperança.que promete. e só promete
que engana...

Amor, quero sentir a tua pele enrugada ao tempo
lábios gretados e poeirentos.quero-te por inteiro
preso na teia espessa dos sentimentos
algo tão puro que caí como uma cortina de crital
sobre o dorso selvagem, animal.quero-te!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009


Quando, cerrados os olhos, num pesadelo soturno
o som da flauta ou do clarim se escuta
ao longe uma miragem daquilo que fui
não procuro mais abrigo. nua e crua me crucifico
como irmã, amiga, amante da tua vontade
faz de minh'alma tua vaidade. de mim prisioneira
palavras? num calafrio falas sobre ti.
emudeces o tempo num abraço
e o medo que guardo de mim.
silêncio, naquele espaço cativante e horrendo
onde não me pertenci.
do infinito à janela apenas um passo nos separa.
meu amor, das memórias dum olhar. a luz intensa
faz-nos respirar o som da matéria

Sinto, os teus dedos entranhados. nos cabelos
pensamentos entrelaçados. perfumes e cores
mancham a tua pele. rubosto e esbelto braço
que sufoca. a boca no contorno, os seios.
rosto selvagem adormecido mãos deixadas
ao acaso. fiéis à sua procura.certas do seu encanto
enquanto, uma furtiva lágrima escorre
morrendo, entrega-se à sorte...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Panamá


Subi as escadas tenebrosamente
como quem se aproxima dum abismo
teu ar, teu gesto, teu corpo descoberto
qual passáro negro caído sobre mim
a vontade que roça o pescoço da agonia
o sol que se ergue na tua boca. a imagem
embriaguada. tua mão na minha
Tecto inaudito nas horas escravas
dos beijos que eram meus que eram teus
os braços descaidos. sanguíneos poentes
tua alma quente . ou louca por quem me enlouqueço
eramos livres. lábios frementes olhar perdido
indiferente ao mundo.esquecidos de tudo
vázios no pensamento, rosto vago nublado
pelo o crepúsculo dos sentidos alienados

Por entre o supulcro de cristal. a tua mão
detia o poder supremo, de vales orvalhados
onde os meus olhos as cores combinam
e a voz era um tom doce. o vento
que as areias domina. já não tenho alento
nesta hora onde o caudal dos sonhos
retorcidos na cama. onde a luz da lâmpada
luta com o dia. nesta hora de partir
para o quotidiano imbecil. para o tédio das violetas
agreste jardim dos cadávares sem cabeça
ter-te tão longe de mim. o teu vulto que se esfuma
pelos degraus que caem na palidez da saudade
na penumbra daquela rua. solidão

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Casa


Lentamente vejo-te. degradante em si
o tempo levemente curva. na esquina
da Rua do Jasmineiro.há uma casa
assombrada. as paredes falam a língua
dos mortos que imandam podridão.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Ontem


Ontem, quando senti os teus dedos
por entre o arvoredo no instante dos teus olhos
parados em mim o tempo eternizou-se

Senti-te e percebi que o mundo era uma floresta
nas palavras que dizias havia promessas
por entre as folhas deixadas ao abandono.

O chão, a tua pele e a memória dos teus lábios
tal e qual como um pássaro voavam
na longitude do teu olhar, não sei que dizias
era talvez o vento uivando por entre os rochedos
havia colinas, na brisa do teu nome ecoava o mar
ontem, esqueci os meus cabelos por entre
as tuas mãos perdi os sonhos
no crepúsculo daquela tarde quente
no instante sedento daquele lugar...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009


Others people lives
are just like mine
if i close my eyes i will see
the tears that you cry
the pain that you feel deep inside
if you take my hand
and walk in to the forest
you should see
the dark side of me...

But this is not the end beautiful friend...
i listened to your voice fooling from the sky
and then i realize i'm not alone no,
i'm not alone, sweet child of mine!

Can you picture me and you
holding hands together again
it could be the end of laughter and soft lies
the end of nights we tried to die
the end of strange days bodies confused, memories misused

Can you picture this, beautiful friend
running through the forest of our fear
without feeling the ground running...running...
free, so free like nothing can stop us now!