sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Destino


O destino tem estranhas formas de se demonstrar
estranhas formas de ser
nunca pensei poder te encontrar neste espaço
encantado onde a lua brilha
do outro lado a noite caí
apaixonei-me, pela cor dos teus olhos
quando o sol, se põe, nas montanhas de Cuenca
o vento ondulante entrelaçado nos meus cabelos
nos teus braços a longitude do horizonte...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Desassossego


Se cada momento pudesse saber
Quantas folhas tem as árvores e o que as faz crescer
Perdida, nos ciprestes desta morada encantada
Tua mão na minha. Juro-te
Não queria mais nada
Vejo tua foto nesta lápide
O mármore fica pensando para comigo
De que cor eram teus olhos quando
Olhavam para mim

As flores murcharam
E nada mais há para recordar
Só as palavras que ficaram gravadas
Na ondulação dos ventos
Em meus cabelos, Fevereiro
Desassossego defunto

Não sabes este egoísmo de querer
Teu corpo vivo e triunfe
Tua boca presa a cada instante
Este egoísmo que arde em mim
Possuir à luz o cadáver que habitavas
Me fascina, me escapa

Agora diz-me…
Será que sentes, o perfume
Que ofereceste continua dentro
Do frasco…e aquele vestido verde
Nada é. Se não um farrapo

Quero te dizer, amor. Faz-se tarde
As estátuas de anjos
Transformam-se em mutantes
Doem-me os joelhos, tenho de partir
De encontro com a vida. Este punhal
Não foi capaz de sangrar
Julguei-me destemida
Pôs-me a chorar…

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Livre

Pareço tão livre, mas estou tão encadeada
no teu abraço dentro do espaço do meu abraço
no teu olhar penetrado a longuitude do meu querer
Há silêncios que nos preenchem a alma
que nos fazem ver uma mão de luz por entre as nuvens
um sorriso que seduz, com loucura uma lágrima...

O desejo que nos suga as veias. que faz uma lâmpada ser sol
e um beijo infinito preso no teu peito, em teu carinho
esta paixão que é uma ventania que fez naufragar
a tua mão na minha
sou livre sem o ser

O intimo horroroso desolado medo
de ser tua, de me enamorar pelo brilho da lua
querer ser sugada em tuas garrar,
apunhalada pelo golpe das tuas pernas.
este querer louco, fernético, inracional
verdadeiro mistério da existência...

A dor de não poder resistir de o corpo pedir
de alma querer os teus dedos
entrelaçados nos meus cabelos

Sonhar é saber que o desejo mora em pequenos gestos
que só nós sabemos, só nós queremos

Mas estás cada vez mais longe e distante
E a cada instante necessito mais de ti!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Amizade

Nevava, na rua gelada o medo
no teu sorriso amigo sereno
que tudo transformava
nevava, mas não muito
apenas o suficiente
para fazer sorrir esta triste gente
que nunca viu coisa tão bonita na vida

Na esquina da minha casa a tua mão
na minha repousava a certeza do teu olhar
brilhava na gentileza de cada palavra
que transformava a neve
em pequenos flocos de algodão

Nevava, em meus olhos cor de mel
a ponta dos dedos uma lágrima secava
na ternura do timbre da tua voz
que ecoava no vão da escada
o silêncio de cada passada, a incerteza do destino
a mágia desta cidade que nos envolve devagar
na liquidez do rio, sem avistar o mar
são colinas que se amontoam, casas em penhascos
ruelas estreitas janelas abertas um velho casco
areia nos jardins e uma fonte imaginaria que brota
no interior de mim. quero te dizer com isto
obrigada por seres meu amigo
sem me pedires nada. obrigada por estares comigo
quando a solidão chega aos ossos e faz-se tarde
e nem os nossos compreendem o que sentimos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Juventude




Abro a janela ao mundo e
a juventude não é mais que um temporal.
As tempestades causam tantos danos,
doem-me as mãos da força de as apertar
queria poder ser eu, neste local estranho.

A vontade de comer o mundo, turva-me a vista
aqui e ali o meu ser ardente trespassado,
morre ao acaso de uma leviana conquista.

O outono do meu passamento leve e sereno
fugiu-me por entre os dedos, como fumaça.
Não tenho confiaça nos meus passos, nao sei quem me guia
rompem-se os laços.

Perdida  de vista, colinas de espaço em espaço
prédios que trespassam a existência.

Miro-me ao espelho,
estranha convicta coluna massissa de enganos
não tenho nunhum super poder, humana apenas
pequei  por inocência.

Diz-me de que vale ser quem sou e não saber sê-lo?
Diz-me porque me destrói os desenganos de cada paixão?
Se me perdi no calor dos teus braços, no desejo do teu coração
Diz-me que há para mim neste mundo?
Diz-me que há no fundo do poço?
Vejo a claridade daqui do mais baixo de mim,
imagino-me bebendo a água que sou, imagino-me
mas tudo terá um fim...

Morrerei seca e definhada?
Diz-me não restara nada?
Apenas a terra lamassenta e a vil certeza do teu triunfo
Apenas gotas de sangue fervilhando, em teus olhos de infante
Apenas a juventude fracassada, o pó,  as cinzas e... nada!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Noites sem dormir


Eram colinas que se desfiguravam
casas em ruínas onde o vento ressonava.
Um prédio alto se erguia ao fundo uma cascata,
teus olhos alucinantes sorriam
depois não vi mais nada.

Acordei, extasiada!
O mundo preso na palma da mão,
por entre os lençóis solidão
que não tarda em se transformar
nesta subtil traição.

Vi o teu corpo cadavérico, olhos negros
ombros tombados num suspiro,
lábios gretados como trapos que esvoassam
ao sabor de cada delírio.

Em pensamentos quis chamar por ti. Não pode!
Senti a alma a flutuar
no peso de cada suspiro.
Senti o ar que me escapava a cada golfada
e depois o vazio.

Tenebrosamente adormeci.
Eram caixas deixadas ao acaso, garrafas vazias
rascunhos de sentimentos.
Um bafo a fumo por entre os teus cabelos
noites sem dormir, sem sentir...
Apenas um pesadelo

domingo, 1 de fevereiro de 2009

fados


Não me queiras amar, se eu não te pedir.
Nem desejes aquilo que não te ofereço
Não ponho a gargantilha.
Não quero a tua afeição. Não mereço!
Digo-te isto, porque sou livre, como uma alma
que o corpo deslumbra adormecido
não me queiras conhecer,
este meu negro coração, independente!
O amor não se escolhe, acontece!
Não me peças para te acompanhar, pára! Nem sei onde vou...
Mas teimo em voar, sou livre,
Na saudade, não me importa o mundo lá fora.
Livre na minha dor. Na minha cama, custa a crer que estou sozinha
nos ambos lado a lado, corpos desencontrados não sei qual de nós
é mais desgraçado...
Não sei, não sabe ninguém este jeito, o jeito de amar tanto,
 num desespero de  querer..
Já esqueci depois, e o meu fado é ser livre.
Tenho a certeza que até na pobreza
serei mais feliz do que contigo.
Isto é sincero, não penses que te desgosto.
Quem sabe se é para ti, isto que escrevo
não queiras pensar isto ou aquilo, pois nada te digo, aquilo que sinto é comigo...