Desassossego


Se cada momento pudesse saber
Quantas folhas tem as árvores e o que as faz crescer
Perdida, nos ciprestes desta morada encantada
Tua mão na minha. Juro-te
Não queria mais nada
Vejo tua foto nesta lápide
O mármore fica pensando para comigo
De que cor eram teus olhos quando
Olhavam para mim

As flores murcharam
E nada mais há para recordar
Só as palavras que ficaram gravadas
Na ondulação dos ventos
Em meus cabelos, Fevereiro
Desassossego defunto

Não sabes este egoísmo de querer
Teu corpo vivo e triunfe
Tua boca presa a cada instante
Este egoísmo que arde em mim
Possuir à luz o cadáver que habitavas
Me fascina, me escapa

Agora diz-me…
Será que sentes, o perfume
Que ofereceste continua dentro
Do frasco…e aquele vestido verde
Nada é. Se não um farrapo

Quero te dizer, amor. Faz-se tarde
As estátuas de anjos
Transformam-se em mutantes
Doem-me os joelhos, tenho de partir
De encontro com a vida. Este punhal
Não foi capaz de sangrar
Julguei-me destemida
Pôs-me a chorar…

Comentários

Pleiba disse…
Saber o momento certo é saber andar certo! mas como é dificil :o
bjuz
Fa menor disse…
Nas folhas das árvores encontras o que as faz crescer... a vida que nelas corre.
Há sempre vida...
Na tua, na minha...
às vezes ela transforma-se em outra vida e vive numa plenitude que não se consegue alcançar...

Em cada momento há uma vida a ser vivida, no agora...
o passado, passou...
o futuro ainda não chegou!

Vive!

Beijos

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