sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Fúnebre

Sem dirigir o olhar, caminhei ao lado daquele homem sinistramente belo.
O seu tom de voz era forçado, impessoal, reprimido.
Como se por detrás dos seus olhos azuis houvesse um mundo cadavérico e inabitável.

Imperava o desejo humano e frágil de fugir.
Seguir o meu caminho, sem olhar atrás. "Mas ele não me deixaria escapar"-pensei eu-
O ar era denso, frio, fúnebre...os movíes estavam cobertos de pó e de acordes de valsas tão antigas como aquele piano negro.

Havia uma luz ao fundo do corredor, penso que seria um candieiro de petróleo...
Não me atrevia a especular sobre o terrivel segredo protegido por aquelas paredes espessas e cortinas voluptuosas..

Fechou a porta para não deixar entrar a luz das estrelas. Disse-me que tinha pavor a claridade. Que o silencio fala, o silencio cala. nas ruínas da imensidão...
Súbitamente sussurou-me ao ouvido "quero o teu beijo lunar. o medo que fica preso entre os dedos."
Os meus lábios estavam cristalizados ou seriam os sentimentos. Não pode expressar, deixe-me consumir pelo incenso...