domingo, 3 de agosto de 2014

Como descrever o trajecto de cada lágrima
o pulsar de cada pensamento
e ver em mim a promessa de um eu
que não existe.
querer ser livre como um pássaro
voar no céu mais limpo, mais azul, mais alto
deixo-me ficar como uma cria aleijada
por terra caída
chorando na esperança que alguém me ira salvar
oh tonta de ti! Ninguém vira
ninguém te acudira
morres em terra com o sonho de voar.

domingo, 6 de julho de 2014

Realidade

Na ondulação de cada palavra
nunca proferida apenas escrita
fica a estranha sensação 
de existir um mundo
para além desta realidade
para além de ti, de mim, de nós. 

Talvez noutra dimensão a tua voz pudesse tocar 
a minha pele pudesse falar
o teu cabelo pudesse ver
a imensidão dos teus olhos, o mar. 

Eu pensei que era outra, que não era eu.
Pensei que em mim existias tu, sendo outro
sendo a cada palavra, a cada beijo,
distinto mas igual a ti mesmo
milhões de beijos,disseste tu
e a janela do meu mundo fechou-se. 

domingo, 8 de junho de 2014

Paisagem

O silêncio esgueira-se,
no principio de cada palavra, um abismo.
Olhas mas não vês, a tristeza.
Montanhas como sombras ao longe
gigantes de pedra que ameaçam ruir.

As árvores indiferentes, a cada passo
memórias afastadas de outros tempos
e dentro de mim uma névoa de sentimentos.

A  liberdade paira no céu,
num rodopiar incessante
sacudindo os meus sonhos
tão leves como as gotas
que por entre os dedos escoam.








sábado, 7 de junho de 2014

Sobreviver

Se a minha alma sobreviver
a todo este inverno cinzento 
talvez consiga decifrar
as linhas das mãos
talvez saiba ignorar calmamente
os caprichos da natureza
ter a esperança, tão vã e doce
de um pêssego
talvez gaste as minha horas sonhando
Com um olhar soturno e leve
compreenda o quão delicadamente 
é a alma.