domingo, 8 de junho de 2014

Paisagem

O silêncio esgueira-se,
no principio de cada palavra, um abismo.
Olhas mas não vês, a tristeza.
Montanhas como sombras ao longe
gigantes de pedra que ameaçam ruir.

As árvores indiferentes, a cada passo
memórias afastadas de outros tempos
e dentro de mim uma névoa de sentimentos.

A  liberdade paira no céu,
num rodopiar incessante
sacudindo os meus sonhos
tão leves como as gotas
que por entre os dedos escoam.








sábado, 7 de junho de 2014

Sobreviver

Se a minha alma sobreviver
a todo este inverno cinzento 
talvez consiga decifrar
as linhas das mãos
talvez saiba ignorar calmamente
os caprichos da natureza
ter a esperança, tão vã e doce
de um pêssego
talvez gaste as minha horas sonhando
Com um olhar soturno e leve
compreenda o quão delicadamente 
é a alma.