domingo, 26 de julho de 2015

Haverá algo mais triste do que a solidão? Pergunto-me.
A vida passa e com ela leva cada pedaço da minh'alma
Onde estão os sonhos que sonhei? Perdidos, talvez.
Já não há sorrisos, não. Não há velas, nem festas, nem balões
No tempo em que eu era feliz, pensava que seria sempre assim,
Pensei que  "para sempre" o céu seria feito de algodão
e as montanhas de biscoito. No tempo onde cantavam-me os anos
como se o meu nascimento fosse algo especial, mas não é.
Não há nada de especial em mim. Apenas sou. Existo.
E como algo que existe também um dia morrerei
e ninguém se lembrará de mim.

Vigiam-me, observam-me como se fosse o ser vil,
desprezível. Apenas sou uma mulher,
acorrentada a uma falsa esperança de
que algum dia algo mudará. Algo? Mas o que? Não sei.
Tudo mantém a sua forma, o seu caminho, imutável.
Julgo não merecer ter amizades. Pois nunca as tive.
No entanto, tento sorrir. Sou uma atriz no palco que é a vida,
Sou a cicatriz profunda e mal sarada de uma despedida
Sou... sou "eu". Digo, penso ser "eu" mas o meu "eu" não entende
o porque desta desdita. Não entende porque morreu e continua vivo.
O meu "eu" um cadáver sucumbido às portas da minh'alma
Nunca logrará resolver o mistério da sua existência.