terça-feira, 30 de maio de 2017

E viva não estou
E viva sou
A sombra de mim esquecida
E viva não estou
E em vida digo
Que me morri tantas vezes
perdida!
Que até custa a crer que ainda em mim palpita
O teu frágil coração
Ainda por nasceu
Meu amor! Meu filho? Minha filha?
Perdoa-me!
Por querer morrer
Por não conseguir suportar
A dor que me agonia.

sábado, 15 de abril de 2017

Quimera

Líquido como o ar que passa,
por entre as rochas, 
devagar, o tempo desdobra-se 
e a dor mais profunda
como gotas de sangue 
que caem e escoam no chão. 

Fingi estar bem,
Sorri, como quem olha para as estrelas
e lê a primeira letra do poema.
Sorri, como quem sente
as ondas na ponta dos dedos.
Sorri, por entre os gritos de desespero
que como um eco percorrem os ossos
retorcem as veias e dilaceram os músculos.
Suavemente, sorri, o som do choro
já não faz sentido
e deixo-me invadir pela quimera
de uma infância roubada
de uma casa de bonecas imaginária
de um abraço de conforto nunca recebido.  

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Mais suave

Beija a flora da boca, como se não houvessem segredos Desflora as horas mal dormidas, as noites fantasmagorias Beija como se nunca tivesses sido traída. Ah! O beijo do amor inocente E tu tentaste, não é verdade? Ser mais doce, mais meiga, mais prestável usar saia um palmo acima da integridade "Não te pintes, que ficas feia." e tu só querias ser bonita, ser mais elegante, mais altiva mas não demasiado pois isso poderia ser demais.
Então lutaste contra ti Ergueste as mãos e bateste no peito, Tentaste ser suave como uma nuvem de algodão ser mais compreensiva, aprendeste a dar sem pedir a sussurrar os sentimentos... (secam-te os lábios) No sopro de cada instante por entre os dedos repousas as promessas, Olha, para as tuas mãos estão presas, aos rasgos de luz e aos espasmos por entre a tua pele branca petrificada E no silêncio de cada pestanejar a navalha corta mas não mata. Ao longe, paisagens de paisagens esmagam-te! Por entre os golpes infernais, o vento, poeiras de outras eras, muralhas e muralhas palpitam-te as horas na garganta, tens medo? E tu tentaste ser mais meiga, mais submissa, mas és areia movediça, és o grito solto na garganta és tu, na tua forma mais pura de ser, Não te deixes, sobrevive-te!