terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Mais suave

Beija a flora da boca, como se não houvessem segredos Desflora as horas mal dormidas, as noites fantasmagorias Beija como se nunca tivesses sido traída. Ah! O beijo do amor inocente E tu tentaste, não é verdade? Ser mais doce, mais meiga, mais prestável usar saia um palmo acima da integridade "Não te pintes, que ficas feia." e tu só querias ser bonita, ser mais elegante, mais altiva mas não demasiado pois isso poderia ser demais.
Então lutaste contra ti Ergueste as mãos e bateste no peito, Tentaste ser suave como uma nuvem de algodão ser mais compreensiva, aprendeste a dar sem pedir a sussurrar os sentimentos... (secam-te os lábios) No sopro de cada instante por entre os dedos repousas as promessas, Olha, para as tuas mãos estão presas, aos rasgos de luz e aos espasmos por entre a tua pele branca petrificada E no silêncio de cada pestanejar a navalha corta mas não mata. Ao longe, paisagens de paisagens esmagam-te! Por entre os golpes infernais, o vento, poeiras de outras eras, muralhas e muralhas palpitam-te as horas na garganta, tens medo? E tu tentaste ser mais meiga, mais submissa, mas és areia movediça, és o grito solto na garganta és tu, na tua forma mais pura de ser, Não te deixes, sobrevive-te!

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