sábado, 15 de abril de 2017

Quimera

Líquido como o ar que passa
por entre o arvoredo
devagar, o tempo desdobra-se 
e a dor mais profunda
como gotas de sangue 
caem e escoam no chão

Fingi estar bem, sorri
como quem olha para as estrelas
e lê a primeira letra do poema 
sorri, como quem agarra as gotas salgadas
e sente as ondas na ponta dos dedos
sorri, por entre os gritos de desespero
que como um eco percorrem os meus ossos
retorcem as veias e dilaceram os músculos
suavemente, sorri, o som do choro
já não faz sentido
e deixo-me invadir pela quimera
de uma infância roubada
de uma casa de bonecas imaginária
de um abraço de conforto nunca recebido.  

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